domingo, 6 de fevereiro de 2011

Atlético x Tupi: Inferioridade numérica e de futebol


O segundo jogo da equipe juizforana era contra o grande Atlético Mineiro e servia também para a estreia do novo terceiro uniforme (foto). Buscando a reabilitação após um empate em casa o Tupi veio fechado e com o intuito de arrancar ao menos um empate perante uma equipe de maior investimento. O galo da capital veio pra cima logo de cara e só não abriu o placar pois o goleiro carijó Rodrigo fechava o gol com uma série de belíssimas defesas.

O galo do interior saia no contra-ataque sempre que havia uma brecha do adversário e em uma dessas arrancadas, aos 23 do primeiro tempo, a bola chegou à área pela esquerda e foi dominada por Yan que, fazendo o papel de pivô, entregou mais atrás para Michel Cury completar para o gol. Tupi 1 a 0. Nervoso, o alvinegro da capital errava muitos passes e irritava a torcida.

Aos 44 do primeiro tempo o lance que decidiria o jogo. Ao cometer falta em Rever, o meia Michel Cury, autor do gol carijó, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. O Tupi perdia o seu homem de ligação e ficava com um a menos na casa do adversário. O treinador Léo Condé teria que repensar a equipe para o segundo tempo, mas quem surpreendeu foi Dorival Junior.

Aproveitando-se da superioridade numérica, o treinador do Atlético colocou o veloz atacante Neto Berola e o veterano Mancini, que fazia sua estreia pelo time de BH. E logo aos 50 segundos do segundo tempo o atacante que acabara de entrar fazia o primeiro dos belorizontinos. Fulminante, o alvinegro marcou novamente aos seis minutos com Magno Alves e conseguiu uma virada na raça. Com um a menos e atrás no placar o Tupi se viu obrigado a avançar e abriu mais espaço. Aos 12 minutos o meia Richarlyson foi expulso ao receber o segundo cartão amarelo e o Tupi conseguiu boas chegadas na frente, mas não foi o suficiente. Logo depois, aos 21 minutos, Magno Alves ampliou após falha defensiva que deixou o atacante livre na área. O Carijó seguiu tentando, conseguiu finalizar algumas vezes mas sofria com os contra-ataques rivais. Foi quando o melhor jogador da equipe do Atlético, Neto Berola, fechou a tampa do caixão quando, aos 36 minutos, marcou o quarto e último gol atleticano do jogo.

Fim de jogo, o Tupi perdeu de 4 a 1 para o superior time do Atlético Mineiro. O time fez o que podia, mas a inferioridade ficou clara nessa partida. Por mais um jogo o Carijó teve um jogador expulso e precisa urgentemente corrigir essa postura da equipe para o próximo jogo contra o Democrata de GV em Juiz de Fora. O treinador Léo Condé, pelo terceiro jogo seguido, não poderá repetir a equipe que foi a campo. É aguardar e ver se o Tupi vai saber aproveitar as partidas em casa para conseguir o principal objetivo que é a vaga para a série D do Brasileiro.

Atlético 4 x 1 Tupi

Arena do Jacaré – 17h

A: Átila Carneiro Magalhães (CBF/FMF)

A1: Guilherme Dias Camilo (CBF/FMF)

A2: Pablo Almeida Costa (CBF/FMF)

4ºA: Ronei Cândido Alves (FMF)

Gols: 16-Neto Berola, aos 1’2T e 36’2T e Magno Alves, aos 6’ e 21’2T (Atlético); 10-Michel Cury, aos 23’1T (Tupi)

Público: 7.271 pagantes

Renda: R$ 68.920,00

Atlético: 20-Renan Ribeiro, 2-Patric (15-Mancine, no intervalo), 3-Réver, 4-Werley (16-Neto Berola, no intervalo), 5-Richarlyson, 6-Leandro, 7-Serginho, 8-Renan Oliveira, 9-Diego Tardelli (13-Zé Luis, aos 13’2T), 10-Ricardinho e 11-Magno Alves. Técnico: Dorival Júnior

Tupi: 1-Rodrigo, 2-Felipe Cordeiro, 3-Leonardo, 4-João Júnior, 5-Wesley Ladeira (15-Edilson, aos 8’2T), 6-Fabiano (18-Rafael Paty, aos 35’2T), 7-Assis, 8-Claudinho Baiano, 9-Yan (17-Evandro, aos 24’2T), 10-Michel Cury e 11-Michel. Técnico: Leonardo Conde

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tupi x Villa Nova: Tempos distintos


Enfim começou o Campeonato Mineiro para o Tupi e com ele as minhas análises sobre as partidas. Para começar, Tupi e Villa Nova fizeram um jogo de altos e baixos. Após longo período de preparação, iniciada na primeira semana de Dezembro, o Carijó enfim teria o seu primeiro teste em frente aos seus exigentes torcedores.

Apresentando mais ofensividade que o adversário, o alvinegro de Juiz de Fora partiu pra cima e protagonizou os primeiros lances perigosos, inclusive com um lance polêmico. O árbitro do jogo, Igor Junior Benevenuto, não marcou penalty quando o meia Michel Cury foi derrubado na área. A partir daí a partida mudou de rumo e o Villa passou a dominar completamente todas as ações em campo. Aos 21 minutos do primeiro tempo, em jogada confusa na área, o argentino Matias Palermo abriu o placar para o Leão do Bonfim e desesperou o torcedor Carijó.

O Tupi foi uma equipe completamente abatida em campo e nada que tentava fazer surtia efeito. A impaciência tomou conta do torcedor que passou a pegar no pé do sistema de jogo de Leonardo Condé. O time chamava o adversário para o seu campo e não mostrava reação alguma. O nervosismo começou a tomar conta e aos 34 do primeiro tempo, em um lance completamente inofensivo, o volante Marcel cometeu uma falta grosseira e foi expulso diretamente. O galo estava em inferioridade numérica e apresentava um futebol que assustava até o mais pessimista dos torcedores. E com esse clima terminava o primeiro tempo. Vaias e muitos protestos por todo o estádio.

O segundo tempo foi igualmente impressionante. O Tupi voltou com outra mentalidade e partiu pra cima do Villa. O leão, assustado, errava muitos passes e parecia ser a equipe com menor número de atletas em campo. Mostrando uma superação impressionante o carijó chegava com facilidade à área do adversário. O atacante Yan, o mais perigoso atleta do time juizforano, comandou a reação. Após perder um gol feito, cara-a-cara com o goleiro, o camisa 18 carijó, após bom cruzamento de Michel Cury, completou de cabeça aos 18 minutos do segundo tempo. O alvinegro teve boas chances de virar a partida mas esbarrava no goleiro Vagner.

No fim da partida o Villa teve mais uma chance que resultou em uma grande defesa do goleiro Rodrigo. A partida terminava 1 a 1. Não fossem os erros da primeira etapa, o Tupi poderia ter iniciado a sua jornada com uma vitória em casa. Muito vai ter de ser feito, já que o próximo adversário é o Atlético. As desatenções e a postura excessivamente defensiva devem ser avaliadas, tendo em vista que o campeonato é de tiro curto e não haverá muito tempo para recuperação. Se o galo entrar em campo com a postura do segundo tempo é certeza de que o campeonato pode ser muito melhor do que a partida de estreia.


Tupi 1 x 1 Villa Nova

Local: Estádio radialista Mário Helênio

A: Igor Junior Benevenuto FMF
A1: Marconi Helbert Vieira CBF/FMF
A2: Mauro Antônio Ferreira dos Santos
4ºA: Juan Carlos Montez Maia (Liga Local)


Gols: 18-Yan, aos 18'2T (Tupi); 10-Palermo, aos 21'1T (Villa Nova).

Público: 1.733 pagantes

Renda: R$ 11. 798,00


Tupi: 1-Rodrigo, 2-Levy (14-Felipe Cordeiro, aos 15'2T), 3-Leonardo, 4-Fabrício Soares, 5-Claudinho Baiano, 6-Michel, 7-Evandro (17- Ramon, aos 27'2T), 8-marcel, 9-Rafael Paty (18- Yan, no intervalo), 10-Michel Cury e 11-fabiano. Técnico: leonardo Condé.


Villa Nova: 1-Vagner, 2-Alex Santos, 3-Carciano, 4-Marcos Pinguim, 5-Dudu Araxá, 6-Radar (16-Felipe, aos 29'2T), 7-João Paulo (17- Daniel aos 22'2T), 8-Gedeon, 9-Paulo, 10-Palermo (15-Ranieri, aos 24'2T) e 11-Allan. Técnico: Wilson Gottardo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Futebol Brasileiro quer o Vasco de Volta!


O ano começou, várias partidas já foram disputadas e a mesma história parece se repetir. O Vasco da Gama faz um péssimo início de Campeonato Carioca e, por mais um ano, decepciona a sua imensa torcida que, iludida por uma diretoria que parecia trazer mudanças e só trouxe mais do mesmo, chegou a acreditar em títulos.

Contratações baratas e simples foram anunciadas como sendo solução de problemas antigos da equipe, erros de planejamento foram cometidos e chegaram a deixar jogadores de fora das rodadas iniciais. Enfim, o desastre completo. O torcedor, já calejado, não fica mais impaciente e nem mesmo triste com a atual situação, ele fica envergonhado. Como pode uma das maiores equipes do Brasil, que em pouco espaço de tempo conquistou dois nacionais e um grande campeonato sulamericano, se encontrar em situação tão oposta? O Vasco se ancora no respeito de épocas anteriores para se manter como grande, mas esboça reação de time pequeno e com isso perde o respeito perante as equipes de mesma estatura do futebol nacional e perante os seus torcedores, que são quem realmente importam no meio de toda essa situação.

O que vemos até aqui não é simplesmente um erro de gestão ou a decadência de um clube e sim uma falta de respeito para com as pessoas que transformaram o Vasco da Gama no que ele é hoje, que ajudaram a construir o patrimônio que existe no Bairro de São Cristovão e que fizeram cada pedaço de cada troféu com as gotas de seu suor. São torcedores, funcionários e ex-atletas que sofrem com o momento do clube e acabam ficando manchados por causa de tudo o que as pessoas mal intencionadas tem feito contra a instituição. Anos de história estão sendo jogados no lixo e a única coisa que o torcedor pede é que o Vasco volte a ser o Vasco. Não o Vasco das falcatruas, do empurra com a barriga, dos tempos sombrios e sim o Vasco do Expresso da Vitória, da Libertadores, dos Brasileiros.

Diretores, inspirem-se nos heróis que colocaram o Vasco da Gama no patamar onde ele se encontra e tirem o clube dessa lama que vocês e o gestor anterior colocaram. Pelo bem do futebol brasileiro que está começando a perder o costume de ver uma certa equipe, de uma certa colina histórica, levantar títulos.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Estadual e o Futebol Brasileiro

O futebol brasileiro está de volta. O torcedor que já não aguentava mais olhar para a TV no domingo e se contentar em ver os gols de campeonatos estrangeiros e de realidades tão diferentes da nossa agora pode voltar a vibrar e, principalmente, a sonhar. Os campeonatos estaduais, e toda magia que os envolve, são os grandes responsáveis pelo pontapé inicial de uma nova temporada.

Uma competição democrática, onde times das mais variadas divisões se enfrentam, por vezes de igual para igual e com chances de título. O Estadual pode, ao mesmo tempo, prenunciar equipes de sucesso e também fracassos homéricos que podem ocorrer ao longo do ano. Grandes surpresas e até mesmo grandes fracassos que entraram para a história do futebol nacional ocorreram nos estaduais. Mitos, como Garrincha, Pelé, Leônidas da Silva, disputaram essas taças e foram revelados nessas competições.

O torcedor brasileiro experimenta a rivalidade local com maior intensidade. O estado pega fogo, cidades vizinhas se agitam, o dia-a-dia fica muito divertido. Ao vencer um dos gigantes brasileiros, por uma semana pelo menos, o time da sua cidade se transforma no melhor time do mundo. Essa é a graça do Estadual. Ele possibilita que uma torcida sofrida, que acumula decepções e fracassos experimente a alegria, nem que seja por pouco tempo, de ser imbatível, de brincar com as estatísticas. E tem quem peça o fim dessa magia. Lamentável. É como tirar todas as chances que uma pessoa tem de realizar seus próprios sonhos. Para uma equipe de pequeno porte, é a chance de se mostrar para o Brasil e crescer no cenário nacional. Elas podem mudar de quadro e evoluir caso façam uma boa campanha.

Um dos principais argumentos pelo fim do torneio é o de que as equipes grandes não o valorizam e acabam prejudicando seus atletas ao jogar em campos ruins, enfrentar más condições de infra-estrutura. A verdade é que, o que um dia foi glamour e competitividade, hoje é apenas sucata e descaso, tanto com os jogadores quanto com seus espectadores. Os fãs do torneio são tratados como lixo em estádios sem condições e com falhas graves de segurança.

São necessárias melhorias para que os torneios estaduais retornem à sua antiga forma. E a principal delas é um maior respeito com quem faz o campeonato ser o que ele é: o torcedor. Dar condições para que as pessoas possam ir aos estádios sem se preocupar com falta de segurança, com banheiros sujos e mal cuidados, com estacionamentos pequenos e desprotegidos. Um estádio acanhado é um bônus para uma equipe menor contra uma grande, mas não significa que ele precisa ser mal cuidado e ter um gramado esburacado e sem grama para que a equipe vença. Profissionalismo é o que pode levar o Estadual de volta às origens e colocar grandes equipes no lugar de onde elas nunca deveriam ter saído, que é próxima aos títulos.

Que os estaduais de 2011 sejam tudo o que o verdadeiro amante do futebol espera. Muita competitividade, grandes jogos e gols, muitos gols. Grandes craques começam nesse mês a desfilar o seu talento nos gramados pelo país, então acompanhe, vá ao estádio e torça por seu time. Antes de qualquer discussão, o Estadual está aí e, depois de uma longa pausa, a sua equipe do coração vai jogar. Aproveite!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um coelho que não quer largar a toca

O tempo de decisões começou e também as definições dos principais candidatos ao acesso para a série A do Brasileirão. Com três clubes praticamente garantidos na Primeira Divisão do futebol nacional em 2011, o Coritiba, o Figueirense e o Bahia, sobra apenas uma vaga e uma briga homérica que vai se arrastar até o final do Campeonato Brasileiro da Série B.

A disputa parecia encerrada quando o atual quarto colocado o América Mineiro tinha uma diferença superior aos seis pontos para o quinto colocado que era o Sport Club Recife. O quadro hoje é outro. O Coelho de Belo Horizonte tem 58 pontos, e uma diferença de apenas dois para o quinto, a Portuguesa de São Paulo, e três para o sexto, o Sport. Um tropeço na partida de hoje perante o São Caetano, no ABC paulista, pode selar o destino da equipe das alterosas mineiras. Caso o Sport vença a equipe do Santo André e a Portuguesa vença o Bahia, o América passa a ser obrigado a vencer para manter a distância de pontos entre as equipes.

A equipe verde e branca desperdiçou pontos importantes, como contra o Bahia na rodada anterior quando perdeu dentro de casa pelo placar simples de um a zero. O que parecia confirmado, agora vai se arrastar até o final do campeonato. Uma curiosidade é que a quarta vaga do acesso sempre foi decidida apenas na última rodada do campeonato. E vamos caminhando para isso novamente.

Notas da B:

E na parte de baixo a briga segue intensa contra o rebaixamento para a série C. O Náutico, que é a primeira equipe fora do rebaixamento, tem 42 pontos e enfrenta o Brasiliense, oponente direto, que se encontra na zona do rebaixamento com 40 pontos. O derrotado vai pro Z-4. Em caso de empate as posições se mantêm. A partida é no sábado, às 17 horas, em Brasília.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Grande Prêmio Brasil de Futebol está chegando ao fim.

Em uma corrida, seja de automobilismo, ou no atletismo, nem sempre aquele que sai na frente é o ganhador. Só o tempo, o restante das voltas, a velocidade e a resistência vai definir o merecedor do título. Tem que se levar em conta também os imprevistos. Muitos corredores apresentam problemas perto do fim e acabam não completando a tão sonhada volta da bandeirada final. No Campeonato Brasileiro da Série A de 2010 a reta final traz toda a dramaticidade da mais disputada corrida de Fórmula 1.

A liderança do campeonato foi dividida durante quase todas as rodadas por três equipes: Corinthians, Cruzeiro e Fluminense. Equipes que mostravam certa regularidade, controlavam seus adversários pelos retrovisores e entravam sempre como favoritos em qualquer dividida de curva. Na hora daquela arrancada final, faltando seis rodadas para o final do campeonato, pintou a bandeira amarela. Pedaços dessas equipes começaram a ficar pelo caminho, jogadores lesionados, derrotas em casa e contra adversários fracos, como a derrapada feia que deram Corinthians e Cruzeiro contra Grêmio Prudente e São Paulo respectivamente e os sucessivos empates da equipe tricolor carioca, como contra o lanterna Grêmio Prudente.

Não podemos dizer, apesar disso, que os retardatários estão atrapalhando os líderes e sim a falta de ajustes corretos e a insistência em algumas peças, ao modo de ver de alguns dos principais analistas, erradas, como Washington no Flu, Alessandro no Timão e Edcarlos na Raposa. O grande problema dessa pane na reta final é que os oponentes começam a crescer nos espelhos dos carros líderes, e ameaçam tirar a vitória de quem segurou a ponta até as últimas voltas.

Com jogos complicados pela frente, o Flu enfrenta o rival Vasco (neutro), o Goiás (casa), São Paulo (fora), Palmeiras (fora) e o Guarani (casa). O Cruzeiro enfrenta o Vitória (fora), o Corinthians (fora), Vasco (casa), Flamengo (fora) e o Palmeiras (casa). O Timão encara o São Paulo (fora-devido a medidas da Justiça de São Paulo, o clube visitante em clássicos só tem direito a cinco por cento da carga total de ingressos), o Cruzeiro (casa), Vitória (fora), Vasco (casa) e o Goiás (fora). De todos os competidores ao título, o Fluminense tem o caminho mais fácil. Só que se, qualquer um deles, atropelar alguma coisa pelo caminho ou tropeçar nas próprias pernas, a máquina alvinegra do Botafogo, que já vem em uma série invicta de 10 jogos, pode colar o bico na traseira dos líderes e assumir a liderança na última curva.

Então corredores principais, tomem de uma vez o rumo certo e acelerem, pois os que vêm atrás estão com gosto de gás e combustível no máximo. E não se esqueçam que a briga não é só entre vocês pois caso os três carros cometam erros ou se colidam, a vitória pertence ao que menos fez lambança durante a íntegra do trajeto.

sábado, 25 de setembro de 2010

A Tribo da Paz

A luta para manter uma Organizada de clube pequeno baseando-se no apoio ao clube e na não violência dentro e fora dos estádios.

No dia oito de abril, poucos torcedores dobravam melancolicamente as faixas da torcida, o Tupi havia sido eliminado do Campeonato Mineiro pelo Ipatinga nas quartas-de-final. Por mais um ano o clube saia da competição após chegar a sentir o gosto do sucesso, o que durante anos tem espantado e afastado muitos dos que resolvem aparecer no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, menos os membros dessa torcida. Formada há três anos por membros da comunidade oficial do site de relacionamentos Orkut, a Torcida Organizada Tribo Carijó era uma forma de unir os mais fanáticos Carijós, nome pelo qual são chamados os fãs do Tupi, e criar um movimento de apoio ao clube, que sempre sofreu com a falta de apoio vindo das arquibancadas.

Após muitas conversas enfim no dia 12 de outubro de 2006 a Tribo se reuniu pela primeira vez. “A faixa de pano, uma espécie de identificador da torcida, não era grande, mas a disposição de ajudar o clube do coração com músicas e cantos era imensa, a partir daí, muitos aderiram à causa e a torcida cresceu muito no primeiro ano e teve condições de fazer novas bandeiras e faixas”, disse Miguel Guastucci, ex-diretor da torcida, hoje membro participante. Se para um clube grande isso é difícil, mesmo existindo milhões de torcedores, imagine para um clube com média de público inferior a 2000 pessoas por jogo. “Muitos não entendem o que fazemos e porque fazemos. Me perguntam sempre o motivo pelo qual eu torço por um clube de série D, a quarta divisão do Campeonato Brasileiro”, afirmou Eduardo Kaehler, membro da torcida há dois anos. A verdade é que as incertezas vividas pelo clube alvinegro levam muitos a desistir de acompanhá-lo e continuar a torcer por equipes de divisões maiores, inclusive e principalmente os clubes do estado do Rio de Janeiro, costume muito comum entre os juizforanos.

Atrás da paixão maior

O Tupi Football Club tem 98 anos de fundação e nenhum título profissional em nível nacional, apenas um campeonato mineiro da segunda divisão, ganho em 2001 e uma Taça Minas Gerais, ganha em 2008. O clube vive do prestígio, quase esquecido, de uma equipe vencedora da década de 60, denominada “O Fantasma do Mineirão”, cujo maior feito foi ter vencido os três “grandes” de Belo Horizonte, América, Atlético Mineiro e Cruzeiro, dentro do Estádio Governador Magalhães Pinto, o famoso Mineirão. Por conta disso, existem muito poucos torcedores jovens e quase nenhum torcedor exclusivo do Tupi, geralmente os simpatizantes torcem também para algum clube de divisões superiores.“Tem que ser apaixonado para torcer pelo Tupi” confirmou Eduardo Kaehler.

Na Tribo existem torcedores que tentam manter apenas a paixão pelo Carijó e abandonaram completamente os seus antigos clubes de coração. “Já torci muito pelo Vasco, hoje acompanho o Tupi em qualquer lugar. Já fui desde o Mineirão até o Moça Bonita, estádio do Bangu no Rio de Janeiro, para acompanhar o Galo”, disse Eduardo.

A Torcida, sempre que possível, acompanha o time nos campeonatos. A realização de caravanas é uma das bandeiras da Tribo, que promete em seus lemas e suas músicas estar presente em qualquer lugar que o Tupi jogar. A primeira viagem da Organizada foi para assistir a uma partida da Taça Minas Gerais de 2006 contra o Villa Nova em Nova Lima. Desde então a torcida não parou mais. Dentro do estado de Minas Gerais, a Tribo já colocou suas bandeiras e faixas em quase todos os estádios dos clubes da primeira divisão do campeonato estadual mineiro.

Mas nem tudo são flores. Na viagem para o Rio de Janeiro com a finalidade de acompanhar a partida entre Tupi e Madureira, válida pelo Campeonato Brasileiro da série D no ano passado, aconteceram vários imprevistos. “Por causa de problemas no ônibus tivemos que andar a pé pela baixada fluminense e uma viagem que duraria poucas horas demorou quase um dia inteiro”, disse Rodrigo Liquer, diretor da Tribo Carijó.

Driblando as desconfianças

Uma pesquisa da TNS Sport Brasil realizada em novembro de 2009 mostra que 84,75% das 8.216 pessoas ouvidas associam a violência nos estádios de futebol às torcidas organizadas. Na mesma pesquisa foi feita a seguinte pergunta: "Se as torcidas organizadas fossem banidas do futebol, o torcedor iria assistir aos jogos nos estádios?" A resposta sim foi escolhida por 61% dos entrevistados.

Uma das bandeiras da Tribo é a da não violência e a busca por parcerias amistosas entre outras torcidas. “Temos amizades com outras torcidas organizadas em Minas e no estado do Rio”, afirmou Rodrigo. Entre as parceiras da Tribo estão a Seita Verde, do América Mineiro de Belo Horizonte, a Camisa 12, da Caldense de Poços de Caldas, a Pantera cor-de-raça e a Demorkut, do Democrata de Governador Valadares e no estado do Rio de Janeiro a torcida Sangue Jovem, do América.

Mesmo essa postura pacífica não impediu que acontecesse uma das maiores tristezas da torcida. No ano passado no confronto contra o Macaé, alguns torcedores do Tupi, nervosos devido o resultado da partida, rasgaram uma das faixas da Torcida Organizada Império Macaense e esta torcida relacionou o incidente com a Tribo Carijó, por essa ser a maior organizada do alvinegro. Na partida posterior os torcedores do Macaé revidaram o ataque sofrido em cima de um torcedor da Tribo. Ele foi agredido no centro de Juiz de Fora por alguns membros da Império e só conseguiu fugir após algumas torcedoras do time fluminense pedirem para que ele fosse solto. Esse torcedor é Marcus Vinícius de Oliveira, ex-membro da torcida alvinegra. “Eu estava indo para o ponto em frente ao Stella, colégio particular da cidade, e fui cercado por alguns homens que me agrediram e rasgaram minha roupa. Senti muito medo e depois que tudo passou senti muita raiva”, relatou Marcus.

Esse incidente irritou profundamente os membros da Tribo e ao próprio Marcus que acabou perdendo a vontade de fazer parte de algo do gênero. “O perfil da torcida não era de violência e sim de paz. Eu me senti abandonado e acabei por perder a confiança. Hoje não me vejo como parte de nenhuma torcida organizada” disse ele.

Fazendo o show no estádio

Fogos de artifício, chuvas de prata, fumaças coloridas. Esses são alguns dos materiais usados para fazer espetáculos no estádio Municipal. E para uma organizada fazer a festa para os atletas em campo é de extrema necessidade, aliás, é a função principal de uma torcida organizada. “Uma organizada deve apoiar sempre o time pelo qual ela torce independente da situação que ele esteja, além disso, ela é um dos principais acessos dos torcedores comuns para com sua equipe para cobrar empenho e dedicação máxima dos atletas e bons resultados quando sua equipe enfrenta uma crise” afirmou Rodrigo Liquer.

Esse apoio por parte da organizada é muito bem visto pelos torcedores que não são membros efetivos da organizada. Algumas músicas da Tribo já foram cantadas por todo o estádio. “Acho a participação da Tribo muito positiva. É uma torcida pacifista e que faz belos shows. As festas são bonitas mais pela disposição de seus membros do que pela quantidade de pessoas” disse o torcedor carijó Henrique Fernandes.

As torcidas organizadas são contestadas, não são indispensáveis, mas elas são importantes. “Os shows dados por elas valorizam ainda mais o jogo de futebol e é uma característica do futebol do futebol brasileiro” afirmou Henrique.

Expectativas

No mês de julho o Tupi retoma sua caminhada em busca do acesso para a série C do Campeonato Brasileiro. E a Tribo promete voltar com tudo. Após um ano de incertezas, com a saída de membros e sem saber ao certo o futuro do clube de coração, os torcedores prometem se organizar e ficarem cada vez mais fortes. Foi criada uma lista de cadastro e os inscritos podem, caso tenham condições ou desejem fazer, pagar uma quantia mensal de R$10,00 para ajudar na manutenção da torcida. “Fazer o que a gente faz não é fácil e sem apoio fica mais difícil ainda. A contribuição dos membros ajuda bastante nas festas, nas viagens e para adquirir novos materiais” disse Eduardo Kaehler. Entre os principais problemas enfrentados estão a falta de dinheiro, a rejeição por parte de alguns por ser uma organizada e a falta de apoio de alguns setores do próprio clube.

Mas apesar de tudo isso, a torcida se apóia no ideal de nunca vaiar o time e no fato de ser pacífica, para atrair novas pessoas que se interessem em manter vivos esses ideais. “As expectativas são as melhores possíveis, apesar dessa parada no calendário ser um fator possível para uma quebra de ritmo. Mas com a vontade que vejo nas atitudes e pensamentos dos nossos membros mais antigos e até mesmo de novos membros que entraram de cabeça no nosso projeto vamos voltar ao topo do cenário estadual” confirmou o diretor Rodrigo Liquer.

Os membros da Tribo seguem firmes na luta pelo que acreditam e, apesar das dificuldades que enfrentam, conseguem observar um futuro melhor não só para eles como também para o Tupi, afinal, não haveria motivo de existir a torcida se o clube não existisse. “Quem acreditar no nosso ideal e quiser ajudar na festa, é só aparecer na frente da nossa faixa nos jogos do Tupi”, convocou Rodrigo. Como diz uma das músicas compostas por eles: “ó meu Tupi, meu grande amor. Estou contigo sempre aonde você for”. E na busca por esse objetivo eles seguem.